As conchas não falam

 

As conchas não falam

O livro escolhido deste mês foi o da sergipana Taylane Cruz publicado pela Harper Collins Brasil, um livro de contos, o primeiro livro de contos escolhido para leitura. A autora explora temas delicados de relações familiares, abuso, solidão e amor. Comecei a leitura na crença de que seria um livro pesado e impactante, embora realmente seja, traz delicadezas numa linguagem poética. No primeiro conto, já se percebe a narrativa do ponto de vista de uma criança diante a acontecimentos traumáticos e, os conflitos acontecem perante a inocência dos narradores. 

"A noite entrava pela porta da sala ..." pág. 9, a noite, o escuro, tão simbólico para uma criança. O livro tem um fio condutor que se revela pelos acontecimentos traumáticos a partir da percepção da infância. 

As histórias trazem subtextos valiosos abrindo espaços para reflexões sobre as relações humanas veladas e, nesses espaços, um movimento de sentimentos e sensações que antecedem a leitura.

O conto que dá título a obra reflete muito esses sentimentos e por sua metáfora da concha a criança dança num buraco escuro.

Contudo, o grande ponto debatido foi as associações entre os contos – se tinham ou não tinham ligação entre eles. Para a maioria, parece que ficou evidente essa ligação: alguns nomes iguais que aparecem nos contos e das possíveis relações de parentescos entre os personagens. Nesse sentido, o livro surpreende pela sensibilidade e impacto de cada conto e pela incerteza de revelar o todo ao longo dos quase trinta contos. Tramas familiares nem sempre são visíveis, claras e tranquilas (e bonito como as cocham).

 

Yumie Okuyama

Escrito em 05/12/2025

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