Minha sacada
Minha sacada
Já está tarde, todos já foram embora, acho que dormi aqui nessa poltrona, só ficou mesmo a bagunça gritando em meio ao silêncio da noite. Vou até a cozinha, cato alguns copos de cerveja, meio vazios sobre a mesa e os derramo na pia. Junto algumas garrafas de vinho. Pego a almofada do chão e jogo no sofá. Alguém resmunga. Esse vai ficar por aqui mesmo. Será que tem mais alguém em casa? Subo as escadas, os quartos estão com as portas abertas, uma cama está sem o colchão, caminho pelo corredor a porta da sacada está aberta, me aproximo, antes mesmo de chegar na porta vejo na penumbra dois corpos, quase um, carícias, um de frente para o outro se beijam e se olham. Um calor ardente quase tiro o casaco, ela tira a blusa, ele beija seus seios e se encaixam um no colo do outro. Eu agarro a maçaneta da porta e vou fechando devagar para não perceberem minha presença e a imagem dos seus corpos em movimento diminui no silêncio em que fecho a porta. Continuo com calor, a porta fechada e os pensamentos para além porta, por que nunca usei essa sacada dessa forma?
Yumie Okuyama
Escrito em 22/10/2025 em aula

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