Escrita Terapêutica: Passado

 

Neste momento eu me sinto intranquila. Estou tentando estar presente, mas demorei um pouco para me organizar. Estou fora de casa, estou em uma cafeteria assistindo a aula, contudo já estou ficando tranquila e me sentindo segura para começar a segunda aula de escrita terapêutica. Cada vez mais estou me conhecendo e me permitindo e me acolhendo com as minhas inseguranças. Já sentei e me organizai aqui no café onde costumo passar algumas manhãs. 

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No passado eu era (...) insegura, sentia vergonha de falar, na maioria das vezes ficava quieta e de uma certa forma a minha quietude passava segurança para as pessoas muito mais do que se eu falasse. Sempre gostei de me movimentar e acho que no passado o meu movimento corporal me ajudou a não me sufocar com a falta de fala. As vezes precisava beber para relaxar e me comunicar de forma leve com os amigos. Eu tinha medo de falar da minha vida pois achava que as coisas que fazia não era grande o suficiente para ser dito ou que talvez as pessoas iriam entender errado a forma que eu vivia. Mas sempre senti muita vida dentro de mim! No passado também me sentia muito sozinha apesar de ter muitos amigos (as).

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Eu aprendi com o passado (...) que eu sou feliz, alegre, que gosto de me expressar e movimentar meu corpo. Que senti muitas dores e tentei não sentir, escondendo, camuflando, me enganando e que preciso sentir para continuar vivendo. Aprendi que preciso prestar muita atenção em mim, na minha intuição, não sei ao certo pra onde vai me levar, mas todas as vezes que segui minha intuição fui para lugares incríveis. Minha vida esta assim hoje porque não hesitei em seguir em frente. Aprendi que o silêncio as vezes é a melhor forma de se colocar de brigar, de lutar pelo que eu penso que não está certo. Nem o silêncio, nem o grito existe tantas coisas entre esses extremos que podemos fazer.

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Desejo deixar no passado (...) a minha insegurança, minha vergonha de ser quem eu realmente sou, meu medo de me avaliarem e de perder ou de ser mal avaliada, o julgamento das pessoas a meu respeito, a tristeza de me sentir sozinha e desamparada, a dor do meu pai, sua angustia em não conseguir nos dar uma casa, o seu cansaço, e a dor dele não conseguir falar e se expressar com palavras o que sentia, deixar no passado o gesto dele bater de leve  a mão na parede quando algo fugia do seu controle.

 

Yumie Okuyama

 

Escrito em 11/03/24

Reescrito em 13/03/24


Oficina: A palavra que cuida. Grupo de Escrita terapêutica - Tema: Passado

Escrever de forma livre sem se preocupar e/ou pensar - fluxo de consciência para aquecer e entrar em contato consigo. 

Dinâmica da oficina: A cada trecho a mediadora inicia uma frase (em negrito) e temos que continuar.

*Respirar/se conectar 



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